capítulo 2
O jantar foi mais tranquilo do que esperávamos, passei por uma troca de olhares surreal com o piloto, não trocamos uma palavra sequer, apenas um simples cumprimento de cabeça quando nos aproximamos. Nico é super simpático e tenho minhas dúvidas em relação a ele e Ross, deixando mais claro possível… Jack é gay e se esconde atrás da imagem de um homem hétero sério por conta de seus pais. Considero que a vida passa a ser tão sem graça quando há necessidade de você esconder quem realmente é! Conhecemos o cassino e achei um novo lugar favorito no mundo, a energia de caos em meio ao dinheiro traz uma atmosfera de ostentação única que só o cassino Monte Carlo poderia transmitir. Meus pés estavam me matando e cheguei morta ao hotel, Jack esticou mais um pouco e marcou nosso horário de encontro para às 11hrs.
Acordei cedo graças ao despertador, porque foi uma luta para conseguir dormir devido ao bendito jet lag. Meu corpo implorava por ficar mais algumas horas na cama, mas não posso me dar esse luxo, levantei e me arrumei para dar uma corrida na ponte próxima ao hotel. Desci bebendo uma garrafa de suco de laranja na tentativa de gerar mais energia para o dia que se iniciava, ainda são 7am e Mônaco parece adormecida após uma noite de farras. Começo uma caminhada pelo píer admirando a vista dos famosos barcos parados no porto, com uma de minhas músicas favoritas para corrida “The Roots - the seed (2.0 ft Cody ChesnuTT”
– I don't ask for much these days (Não peço muita coisa hoje em dia) and I don't bitch and whine if I don't get my way (E não fico choramingando e lamentando se as coisas não saem como quero) – canto enquanto corro sentindo o ar entrar nos meus pulmões, o sol começa a esquentar e sinto saudades de casa, não de Los Angeles e sim do Brasil. Meu lar neste mundo tão doido. Por um segundo fecho os olhos momentaneamente e sou puxada de volta a realidade com um aviso de “ligação de Ross Pessoal” – Ross
– Oi Karina, bom dia!
– Bom dia, está tudo bem? – pergunto estranhando sua ligação tão cedo.
– Está! Você está na academia?
– Correndo no píer, precisa que eu volte ao hotel?
– Não, liguei pra te dar o dia livre. A reunião foi cancelada, um dos investidores está com uma gripe fortíssima e adiou para o fim de semana.
– Então não teremos nada ao longo dos dias?
– Não até sexta, mas podemos nos encontrar amanhã para bater as pautas da reunião e você conferir os detalhes.
– Abby já realizou a revisão?
– completamente, mas nunca se sabe se algum erro pode ter passado despercebido ou um equívoco.
– Você quer é me dar trabalho de qualquer jeito – rimos – retorno o contato assim que terminar a corrida.
– Aguardo – ele finaliza a chamada e a música torna a tocar em meus ouvidos, por um momento de distração sou surpreendida por uma bicicleta que me faz ir de encontro a grade do píer, foram fones para um lado e garrafa de suco para o outro.
– Meu Deus! Me desculpe! – a mulher loira que acabou de me atropelar se desculpa e me dá as mãos para verificar se estou bem.
– Está tudo bem! Não foi nada! – aviso olhando meu cotovelo ralado – foi apenas um ralado, nada demais.
– você tem certeza? – Ela perguntou levantando sua bicicleta e encostando no muro
– Sim, apenas ralou. Irei lavar!
– Passa um pouco d’água – ela pega sua garrafa e me ajuda a limpar o local que estava começando a sangrar – me desculpe mesmo, me distraí fazendo um vídeo e acabei não vendo você na minha frente.
– Não tem problemas, eu também me distraí com essa vista –nós rimos.
– Está tudo bem, Angela? – um cara chega por ali perguntando e volto a olhar para meu cotovelo que para um ralado está com sangue demais.
– Acabei atropelando a menina quando fui abrir sua chamada – diz sem graça
– Senhorita, você está bem? – então olho para o cara, ele retira os óculos e OPA! Nada mais que o homem que me paralisou ontem, ele aperta seus olhos e ri fraco
– Está tudo bem, obrigada por perguntar!
– Peraí, você estava no jantar ontem? – Pergunta chegando para o lado saindo do meio da pista e apenas faço o mesmo.
– Qual jantar? – me faço de desentendida
– Me desculpe, posso estar confundindo com alguém que vi na casa de um amigo.
– É, pode ser! – sorrio sem mostrar os dentes e abaixo o olhar procurando meus fones, encontrando apenas um – acho que meu fone caiu no mar – rio olhando para o mesmo.
– Me desculpe mesmo, não foi minha intenção. Eu posso te dar outro fone hoje mesmo! – Ela diz
– Não há necessidade, é apenas algo comum – respondo tentando acabar com esse assunto no meio da ponte.
– E outro suco? – Ele diz e olho para o chão pegando a garrafa que havia estourado devido ao impacto
– Isso você pode aceitar não é? Estamos indo para a lanchonete aqui perto
– Não precisa, realmente. Não quero atrapalhar!
– Aceite como um pedido de desculpas, que tal? – ela diz e ri nasalado
– Ok – concordo me dando por vencida e sorrio, mudei minha rota e passei a correr com eles em direção a lanchonete que era ao final/início da ponte, nos sentamos em uma das mesas com vista e fizemos nossos pedidos.
– Nem me apresentei, meu nome é Angela
– Muito prazer em te conhecer Angela, meu nome é Karina
– Não tão prazer assim, te causei um acidente – Angela diz brincalhona e rimos – Esse é o Lewis
– Prazer em conhecer, Karina.
– Prazer em te conhecer, mas eu sei quem você é – ri e o garçom chegou com nossos pedidos
– Você acompanha fórmula 1? – ele pergunta bebendo seu suco verde e observo sua boca molhada após beber o suco e resolvo tomar um gole do meu trazendo clareza aos meus pensamentos.
– Acompanho…
– E está aqui para assistir o GP? – Lewis pergunta e aperta os olhos. Homem, pare de fazer isso imediatamente!
– Na verdade eu vim a trabalho, calhou de receber o dia de folga.
– Que legal! – Angela diz – e você gosta de corrida?
– Cresci assistindo com meu pai, era legal – sorri e bebi novamente mais um gole do meu suco.
– Karina, eu faço questão de te dar um fone novo – Angela diz colocando uma das mãos sobre o peito e balanço a cabeça negativamente
– Não há necessidade, assim que eu voltar para casa posso comprar um novo.
– Eu faço questão, fui muito desatenta.
– A culpa foi minha de ter ligado – Lewis diz e retorno o olhar para ele
– Com licença, vou ao toalete –Angela diz e nós concordamos.
– Você tem certeza que não estava no jantar ontem? – Lewis diz me fazendo rir pela insistência, pego meu copo e bebo mais um gole o encarando.
– Pelo visto você não é bom apenas nas pistas, quer dizer… é bom com fisionomias também – me corrijo sem graça, rindo logo após e ele também ri.
– Sabia que era você!
– Por que?
– Tem alguma coisa em seu olhar – ele diz e desvio o olhar do mesmo, o que esse cara quer? Quando volto Lewis novamente está apertando os olhos para mim e não me contenho a rir.
– sabia que você parece um psicopata fazendo isso?!
– Nunca me disseram isso – tomba a cabeça para o lado e balanço a minha em negação, pego meu celular no suporte da braçadeira e vejo uma ligação perdida de Ross.
– Será que a Angela irá demorar?
– Ela provavelmente está conversando com o dono da lanchonete.
– Ah sim… então, eu preciso ir! Agradece o suco por mim? – digo ao levantar e ele balança a cabeça positivamente levantando também.
– Foi um prazer conhecer você, Lewis Hamilton. Boa sorte no final de semana! - digo estendendo a mão e sorrindo assim que nos cumprimentamos.
–Prazer foi meu, Karina… Obrigada! – Lewis diz e sorri mostrando seus dentes brancos e transformando seus olhos em miniaturas. Rapidamente procuro meu caminho e saio dali esbarrando na cadeira que estava ao meu lado.
– Ops…
– Pelo menos você não está dirigindo… – Ele comenta e esboço uma cara de brava que o causa uma risada deliciosa.
– Eu dirijo muito bem, tá?! – falei em minha defesa.
– Eu só acredito vendo – diz em tom de desafio e arqueio uma sobrancelha o encarando, sorrio de lado.
– Tchau Lewis – digo
– Tchau Karina – ele responde e parece que tem uma energia que não me permite ir embora, fecho os olhos e balanço minha cabeça buscando clareza, me viro e sigo meu caminho de volta ao hotel.
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