Capitulo 3
Meu dia seria de folga se eu não começasse a ler a apresentação da empresa enquanto degustava meu café, quando fui ver já estava sentada à mesa com o Ross reorganizando as pendências que surgiram da última revisão. Passamos a manhã inteira em reunião, almoçamos sobre planilhas, dados e gritos de impaciência. No entanto, quando percebemos já se passava das quatro da tarde.
– Abby, há um arquivo no pendrive que eu utilizo na empresa que preciso que você envia o mais rápido possível. Está datado, se não me engano é o DT3-Atos – Ross diz enquanto reorganizo a apresentação.
– está aqui sim! Qual você precisa? – Abby pergunta
– A última versão do 18.0076 da nossa filial no Brasil, tem uma conta em branco.
– Tem certeza que precisa apresentar todas essas contas? – pergunto sem a menor ideia do quão importante isso é para a apresentação.
– Dues, essa parte mostra o lucro nesse período em que estamos e as empresas que faturaram com a nossa participação direta – Ross explica mostrando os apontamentos no mapa.
– E considero que esse seja o nosso fator coringa da apresentação, certo?
– Exato!
– A apresentação está aqui, só precisa incluir o dado que falta. Garanto que esse contrato já está assinado e que você não precisa mais de mim – digo e rio tomando um pouco de água da garrafa que estava na mesa.
– Eu preciso de você mais do que qualquer outra pessoa nessa empresa – Ross confessa.
– Eu estou aqui e irei lembrar disso – Abby diz nós levando a gargalhar.
– você também, Abby, eu não sei o que seria da minha vida sem vocês.
– Está vendo, Abby? Encontramos o momento perfeito para pedir um aumento.
– outro? – ele questiona de uma maneira tão engraçada que não me contive rir.
– Dados enviados, boa apresentação e me deixem em paz – Abby diz e desliga.
– Seu pai está na empresa hoje? – pergunto finalizando as edições e passando para o pendrive do Ross.
– Com esse mau humor da Abby podemos apostar que sim, eu tentei de todas as formas trazê-la junto, mas ele perguntou…
– Novamente essa história? – ri fraco enquanto fechava a tela do computador.
– Sempre a mesma enquanto ele achar que tive um relacionamento com a Abby
– faz sentido? não faz – ri nasalado.
– Pelo menos terminamos isso, vamos jantar em algum lugar?
– aceitaria se não estivesse morrendo de sono.
– tudo bem, qualquer coisa estou no celular.
– ok – nos despedimos e volto para o meu quarto, meu corpo está pedindo um soninho que está sendo algo normal durante esse meu período de férias. Esse trabalho no meio do meu horário está desregulando a rotina que criei para esse período. Coloco minhas coisas em cima da mesa e me jogo sobre a cama deixando meu corpo relaxar de fato, por alguns segundos curto o puro e mais belo silêncio do meu quarto. Nada é melhor e mais energizante do que isso! Acabo cochilando e sendo despertada com o barulho das notificações do meu celular, abro os olhos lentamente e noto que já está escuro – acho que dormi demais.
Rapidamente me levanto e pego o celular encontrando algumas chamadas perdidas da minha mãe e mensagens do Ross, Jack não me larga nem quando me libera. Retorno a chamada da minha mãe colocando o celular no viva voz.
– eu acho incrível a sua capacidade de esquecer de me ligar depois de ter saído do meio das minhas pernas – minha mãe diz me fazendo gargalhar enquanto deito na cama novamente colocando o celular no ouvido – ri mesmo sua sem vergonha
– oi mãe, também estava morrendo de saudades da senhora.
– senhora está no céu e eu ainda estou na terra, graças a Deus
– deixa de ser palhaça, mulher. Como estão as coisas?
– Estão bem, né Karina. Porque se depender de você…
– Olha que mulher ingrata, meu pai…
– não vem com meu pai não que esse daí também é outro que só me dá estresse
– Estresse de quê, dona Marina?
– aquele safado voltou a me perturbar
– você fala como se não gostasse, mãe…
– me respeita Karina, eu ainda sou sua mãe – ela diz me fazendo rir – onde você está?
– Eu estou em Mônaco.
– E onde fica isso?
– na Europa, ao lado da França. Vim a trabalho!
– De novo? Não me invente morar aí novamente, Karina. Leva muito tempo no avião e minha pressão sobe, eu não vou te visitar já estou avisando – ela diz da sua maneira toda esbaforida que me faz rir – você só sabe fazer isso né.
– Preciso trabalhar para viver e para bancar a viagem de alguém toda vez que resolver vir me ver do nada.
– lógico, ninguém mandou você querer inventar de morar em outra América.
– você ligou pra brigar comigo? – ri pegando o controle da televisão ligando a mesma.
– Liguei pra saber como você está, mas se já está do outro lado do mundo está em ótimas condições.
– Graças a Deus e a senhora pelo visto tá ótima de saúde.
- Lógico, eu me cuido… Ah, Leandro vai te a merda! O encosto do seu pai já chegou aqui me perturbando – ela mudou a chamada para vídeo e mostrou meu pai Leandro e meu irmão Peter. Meus pais são separados, mas vivem juntos. Os dois vivem arrancando rabo, mas sempre estão juntos. Minha mãe diz que ninguém aguenta ele e por isso meu pai vive atrás dela. Ficamos por um bom tempo conversando e matando a saudade da maneira que era possível, já faz 1 ano da minha última temporada pelo Brasil, estou morrendo de saudade e doida para tirar um tempinho para visitar meus pais na segunda metade das minhas férias. Estou planejando uma surpresa e espero que dê certo!
Domingo, 19 de maio de 2019 às 07:00 am
Meus dias livres em Mônaco serviram de diversão, meu lado turista rodou cada cantinho desse principado que acabou me deixando ainda mais apaixonada, se eu pudesse teria um cantinho aqui para chamar de meu, mas meu poder aquisitivo ainda não chegou nesse nível. Na sexta-feira finalmente tivemos a reunião, para minha surpresa Abby chegou por aqui e acompanhamos o Ross, apresentamos o projeto de um jeito único e que eu já entrei com a certeza que sairíamos com o contrato assinado e não deu em outra coisa. Houve uma pequena comemoração, mas preferi guardar fortes emoções de certos encontros. No sábado, assistimos o treino no iate de um dos nossos, agora, parceiros e que foi o verdadeiro significado de extravagância e luxo. Tudo que você pudesse imaginar tinha por ali e ainda recebemos passes livres para visitar os boxes e tirar fotos com os carros, meu momento de fã nunca foi tão feliz. Encontrei novamente com o piloto e agora tenho certeza que não é coisa da minha cabeça, ele testa as reações do meu corpo toda vez que aperta o olhar e acho que não consigo esconder esse tipo de reação. Abby tietou o Hamilton, assim como o Jack e eu fiz a linha estava apenas curtindo, mas por dentro estava morrendo de vergonha de entregar algo com meu olhar e agradeci quando o jogador Cristiano Ronaldo apareceu por ali. Fiz um registro lindo com o finlandês, Bottas, e recebi um novo boné que homenageia o saudoso Niki Lauda que faleceu por esses dias. Nosso sábado foi sensacional e não tenho
– viu aonde saiu foto nossa? – Jack diz.
– Não tive nem tempo de atualizar minhas redes, tô doida pra postar as fotos de ontem e nada. Saiu onde? – perguntei arrumando o boné na cabeça de frente para o espelho
– Naquele perfil do paddock - falou mostrando a foto publicada pelo perfil.
– Nossa que casal bonito – falei e gargalhamos, seguimos para o restaurante do hotel encontrando com a Abby e tomamos nosso café.
– Acha que hoje tem festinha com os pilotos – Jack diz no seu tom de deboche me olhando de rabo de olho, ri balançando a cabeça negativamente.
– ainda bem que sou uma ótima funcionária e estarei quietinha na minha cama pronta para dormir e voltar para casa.
– Que casa? – Abby pergunta
– Ué, não vamos embora?
– Meu amor, podemos aproveitar Mônaco? – Abby perguntou terminando de comer e levantamos saindo do restaurante
– Claro, querida! – digo e rio
– Eu irei deixar vocês duas e ficar off por alguns dias
– vai fazer o que? – perguntei curiosa enquanto estávamos no elevador, ele desconversa e já imagino o que seja (...) a corrida foi literalmente um presente da empresa, porque valeu cada minuto que estive por aqui. Foi bastante emocionante pelas homenagens ao Niki e todos os acontecimentos, ser mercedista é morrer do coração a cada grande prêmio mas não se iludir com o futuro.
– Olha lá, Karina – Abby aponta e olhamos para o Hamilton que está dando entrevista nesse momento – que é bonito, não dá pra negar…
– Prefiro ficar quietinha e não declarar nada – ri levando Abby a me acompanhar.
– Eu batalhei com o espírito do Niki. O Niki foi muito influente na nossa equipe, nos ajudou a chegar onde estamos. Sei que ele está nos vendo e tirando o chapéu para nós. Só tentei manter o foco e deixá-lo orgulhoso. E vamos tentar continuar assim o ano todo. – Hamilton diz em sua entrevista me fazendo sorrir com a sua declaração e fiquei parecendo uma idiota, até voltei para a realidade (...) fomos para uma after da Mercedes, mas eu me sinto tão cansada que estava apenas aproveitando o ambiente. Depois de enjoar daquele bando de homem soberbo se exibindo, resolvi ir embora. Peguei meu celular e enquanto esperava o elevador atualizei meu Instagram, repostando a foto.
karinadues Às vezes, por alguns segundos, esquecemos que é trabalho… mas vale a pena 🤗 #repost @f1paddokclub Some VIP guests enjoying the grid walk today #f1paddockclub #f1 #grid
– então quer dizer que você é meu novo amuleto? – essa voz não me é estranha, virei na direção e encontro o piloto parado ao meu lado.
– Então quer dizer que me tornei o seu amuleto? – perguntei erguendo uma sobrancelha e sorri, ele me presenteia com um sorriso de parar o mundo – parabéns pela vitória!
– Obrigado! – o elevador chegou e nós entramos, só então percebi que ele estava acompanhado de um segurança – gostou da corrida?
– valeu cada segundo!
– Que bom que gostou – ele passa a língua nos lábios e balancei a cabeça negativamente olhando para baixo, aproveito e vejo o horário no meu celular – vai fugir novamente?
– eu não fugi – digo em minha defesa– apenas precisava voltar a trabalhar
– posso te acompanhar? – Hamilton pergunta
– Não vai ficar estranho?
– O que ficaria estranho?
– a gente vai sempre se falar através de perguntas?
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