capítulo 4
CAPÍTULO 4
“Sim, eu já tenho tudo o que preciso
As melhores coisas da vida já são minhas
Não me diga que você tem uma coisa boa para mim,
Porque eu já tenho uma coisa boa comigo”
Zeed & Kehlani - Good Thing
- Eu irei te perguntar a mesma coisa - ele diz me arrancando um sorriso, algo que não está sendo muito difícil, estou me sentindo muito fácil. Se controla, Karina. Não caia nesse golpe novamente!
- É melhor não arriscar você sair do hotel acompanhado
- Podermos sair por trás e você ainda me deve uma conversa - Lewis diz me fazendo rir baixo
- Eu não lembro de estar devendo uma conversa - o elevador abre e assim que tomo a iniciativa de sair ele segurou uma de minhas mãos
- Então janta comigo essa noite e está tudo certo…
- Quem sabe um dia… - saio e vamos caminhando para a saída dando fim ao nosso breve papo de sempre
- Te espero no Fairmont, no bar, às 20h - ele diz e entra no carro, minha reação foi rir balançando a cabeça negativamente e entrar no carro que estava parado por ali.
Será que devo encontrá-lo? Vamos ser sincera, ele não é o primeiro homem rico e famoso na minha vida, há um tempo mantive/mantenho, na verdade não sei definir como estamos, um relacionamento com um cara que achava que podia comprar a sua ausência com coisas materiais, eu realmente não estava interessada pelas suas coisas, mas parece que ele não entendia esse ponto. Eu sempre conquistei tudo que quis e se eu quisesse poderia correr atrás, então aquilo chegou em um ponto que me incomodava. Aquela velha história: nós funcionamos na cama e quando estávamos juntos, mas esses encontros eram tão raros… acabei me afastando, ficando com outras pessoas e tendo a certeza que é melhor ficar sozinha.
Voltando ao piloto… sabemos que ele tem a mulher que quiser e que serei apenas mais uma na vida desse homem, mas precisamos lembrar que se o homem que quase casou com Nicole está me querendo é com toda certeza do mundo que irei sentar também. Peguei meu celular e disquei rapidamente o número da Abby.
- Você não pode me deixar sozinha, Abby
- Você não é mais criança, o que rolou?
- O que rolou? você ainda tem a audácia de perguntar…
- Conseguiu um velho rico? alguém pra te fazer feliz?
- meu amor, eu sou meu velho rico! já te falei que não preciso de homem pra me fazer feliz
- Não lembro de ouvir isso quando está chorando na TPM
- momentos de fragilidade, apenas. Onde você está?
- caçando algum homem nesse aplicativo que o Jack me apresentou
- Ele realmente te chamou de encalhada - rimos - estou voltando pro hotel, vem me fazer companhia - imploro fazendo um leve drama de sempre, fui conversando com ela até finalmente chegar no hotel que não demorou muito para chegar também…
Eu e Abby criamos uma amizade por dois motivos: trabalho e tempo, no começo da minha vida em Los Angeles não tive tempo para sair, estava bastante dedicada em melhorar meu inglês e me atualizar sobre tudo que acontecia no trabalho. Ela também havia começado na empresa por um estágio e já a conhecia de cabo a rabo. No início, passávamos tanto tempo dentro do escritório que nos chamavam de b1 e b2, sendo impossível não nos tornarmos próximas uma da outra. Abby é o tipo de mulher que todo homem deseja ter um dia, uma beleza e um charme que chama atenção por onde passa.
(...)
- Ele te chamou e você aceitou, não é? - Abby pergunta
- Não disse que não e muito menos sim, ele apenas falou que é no bar do Fairmont às 20h- falo olhando para as roupas no meu armário pensando na possibilidade de sair com ele.
- Eu estava olhando as redes dele, o cara está sofrendo bastante com a morte daquele cara… - Abby diz mexendo em algo no computador
- do Niki, se eu não me engano foi ele que ajudou a trazê-lo para Mercedes. Mais um motivo para não encontrá-lo, o cara está de luto.
- Eu fico chocada que você sabe tudo desse homem, anos sendo fã e simplesmente quando tem a oportunidade de realizar a fanfic da maioria e finalmente sentar nesse gostoso você me vem fazer a boa moça - Abby diz indignada e é impossível não rir
- Não falei que não quero ir, apenas não quero deixar isso tão evidente e parecer que sou mais uma interesseira na vida dele, coisa que não sou -falei me jogando na cama e pegando meu celular
- E o que tem demais em duas pessoas que querem transar? Cadê a verdadeira Karina?
- Ficou em Los Angeles com o restante de homens que eu não suporto olhar a cara mais.
- Você já parou de pegar o cara casado?
- Para! Não saio com ele desde que achei a aliança no chão lá de casa.
- Essas coisas só acontecem com você - Abby ri me fazendo revirar os olhos, meu celular toca e vejo “NÃO ATENDA ” na tela.
- É por isso que nasci pra ser uma vadia e morrer sozinha - ri mostrando o celular para Abby.
- Ele parou de mandar bolsas? tô querendo uma nova
- Eu mandei voltar, na verdade preciso me mudar e só assim ele vai esquecer que eu existo
- Nem você acredita nessa história - rimos - você já viu a hora? vai se arrumar, anda! - diz me puxando da cama
- cara, não sou maluca, eu não vou!
- Pelo amor do meu pai do céu, alguém precisa dar por aqui - gargalhei
- eu não vou transar com ninguém, pare com isso! - resolvi ir me arrumar, não custa nada (...)
- Abby, você tem certeza que não estou exagerando? - pergunto me olhando pela milésima vez no espelho do elevador
- Mulher, vocês vão para o fairmont.. Aproveita pra postar foto pro Andrey ver que você tá saindo
- Eu não! deixa esse homem quieto e sem me infernizar… Pensando melhor, eu estou me sentindo maravilhosa e preciso postar uma foto - falei rindo e paro em um canto para tirar algumas fotos, escolhi a melhor e postei no instagram
karinadues nem sempre sou egoísta... @ Monte Carlo
abbymiles @kehlani corre aqui e avisa o final dessa história
userfem tão bela
usermasc mostro todos os dias a foto da nora da minha mãe
POV Lewis Hamilton
Ainda não sei descrever a emoção deste dia, sinto que uma parte da pessoa que construí devo a Niki e parte dela ficou abalada com a sua perda, mas também sinto que ele está orgulhoso de nosso trabalho e do legado que continuaremos levando. A vitória na corrida foi extremamente importante para o campeonato, não foi uma das corridas mais fáceis, continuo em uma disputa com o Max e é isso que me motiva a continuar nas pistas.
Passei rapidamente pela comemoração de uns patrocinadores, não estou no melhor clima de festas, mas não consegui inventar nenhum motivo para evitar de comparecer.
Em meio a isso tudo, há algo que ganhou minha atenção e despertou minha total curiosidade. Quando estava indo embora encontrei alguém que está pela minha cabeça nestes dias em Mônaco, parada, segurando o boné da homenagem do Niki em mãos e mexendo no celular… Karina.
- Sabe quem encontrei lá no hotel... - falo assim que encontro com a Angela na sala do meu apartamento
- Quem? - pergunta sem tirar a atenção do computador que estava mexendo
- Karina - falei ganhando sua atenção, ri e fui indo para cozinhar pegar um pouco d’água
- a do píer? - Angela pergunta aparecendo ali na cozinha com o Roscoe e Coco logo atrás que vieram para cima de mim, me abaixei brincando com eles
- Exato
- Você sabe que está arrumando ideia, não é?!
- Vou encontrar com ela daqui a três horas para jantar
- Você passou a semana inteira falando dela, estou quase acreditando que essa mulher te lançou um feitiço
- Eu também acho que ela é uma feiticeira, vamos ver…
- Ainda não achou ela nas redes? - Angela pergunta enquanto voltamos para a sala, pego uma bolinha e começo a brincar com o Roscoe
- Nada… Ninguém que eu conheça segue nenhuma Karina que esteja em Mônaco e também não encontrei nada pela localização.
- Ela não tem jeito de ser famosa e nem uma pessoa da mídia
- Esse é o ponto! É um achado - digo e rio fazendo a Angela me acompanhar, ficamos conversando sobre as coisas que aconteceram no dia, as notícias e aproveitei para ligar para meu pai.
- Você realmente veio - falei e sorri assim que ela se aproximou do bar do hotel, estava maravilhosa como todas as vezes que nos esbarramos. Nos cumprimentamos com um beijo na bochecha e pude sentir seu perfume me prender em seu corpo, o cheiro dessa mulher é sensacional.
- Eu pensei em não aparecer, mas repensei e estou aqui - Karina diz e sorri, olho para sua boca e então para seus olhos e me sinto capturado por seu olhar
- Podemos jantar? - pergunto e ela apenas confirma, aponto com a mão na direção do restaurante e ela caminha, eu não evito olhar para sua bunda, é impossível! (...) Jantamos em meio a uma conversa gostosa sobre sonhos, esperanças e desejos. Uma conversa que me mostrou que essa mulher é uma caixinha de SURPRESAS.
- E você não tem vontade de voltar ao seu país? - pergunto curioso sobre sua vida que até agora ela só falou superficialmente me deixando ainda mais curioso
- Estamos em uma entrevista da imigração? Eu juro que estou legalizada - ela riu me levando a fazer o mesmo, tombei a cabeça para o lado analisando seu rosto e vejo Karina fazer o mesmo - você realmente tem essa mania de encarar as pessoas, não é?!
- Apenas quem eu quero conquistar - digo e ela se engasga com o vinho que está bebendo - me debruço um pouco sobre a mesa e bato levemente em suas costas - está tudo bem?
- Está sim! - Ela diz e sorri - então… Eu construí uma vida nos Estados Unidos, no início vim pra estudar e depois comecei a trabalhar. A famosa vida do imigrante que busca uma oportunidade, mas no caso eu já cheguei com o emprego garantido.
- e o que você faz? - perguntei tomando um gole do meu vinho logo após
- Sou diretora de comunicação em uma empresa, não é algo tão legal como correr em um carro da fórmula 1
- mas é bastante interessante - digo e ela sorri, sinto que ela está usando uma máscara e estou doido pra tirá-la - por que será que eu acho que você não está mostrando quem realmente é?
- Você precisa parar de analisar as pessoas - Karina diz e rir se ajeitando em sua cadeira - eu estou sendo sincera, o que você quer que eu seja? uma mulher desbocada? apenas em quatro paredes, uma louca? depende, talvez você que seja por sair com uma pessoa que esbarrou pela rua
- Você atiça minha curiosidade e isso é no mínimo interessante
- Está me chamando de exótica?
- não, nunca! - ela riu da minha cara e me sinto um bobo - você irá ficar mais tempo aqui em Mônaco?
- acho que sim, é algo incerto. Como falei… vim a trabalho!
- Espero te ver mais vezes, afinal, por que é tão difícil de te encontrar na internet?
- porque meu Instagram não é aberto, na verdade ele era aberto, mas precisei fechar esses dias. Você me procurou?
- não é fácil encontrar alguém que falou apenas o primeiro nome
- não era pra você me achar, essa é a questão - eu ri e ela me acompanhou - vai que você generaliza minha presença
ficamos conversando até perder a noção do tempo, o celular dela tocou durante a nossa conversa e ela simplesmente ignorou, um ponto importante porque ela não encostou no celular durante todo esse tempo em que esteve aqui. Resolvemos sair para dar uma volta como duas pessoas normais, certos lugares daqui ainda é possível fazer isso.
- tem certeza que é uma boa ideia caminhar com esses saltos? - pergunto pela terceira vez depois de iniciarmos uma caminhada pelo píer próximo ao meu apartamento, sinto que esses saltos não são o ideal para o nosso passeio
- não tenho problema em ficar descalça - Karina diz e para fazendo um movimento para retirar as sandálias de salto, me prontifico e me abaixo já que ela está de vestido, eu não consigo tirar meus olhos dos seus, é como se fosse um feitiço que me deixasse preso e eu não quero fazer mais nada. Ela pega os saltos da minha mão e aproveito ao subir para acariciar um pouco sua pele, sinto responder ao meu toque facilmente e sorrio de lado, seus olhos dilatam e eu preciso beijar essa boca. Levo minhas mãos até seu pescoço e a pressiono contra a parede iniciando um beijo com vontade, minha mão desce pelo seu corpo e tenho vontade de deixá-la nua aqui mesmo. Sua mão aperta meu pescoço e meu pau reage ainda mais, aproveito para unir nossos corpos e a faço soltar um gemido reprimido que me faz sorrir vitorioso. Essa é minha!
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